Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

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“Emo”. Qual o problema?
Se você vive no planeta Terra, certamente já observou que os adolescentes incorporaram um novo xingamento ao seu já vasto vocabulário destinado ao insulto: "emo". Quem não é, odeia ser chamado assim. Quem é, nem sempre assume. E quem assume, come o pão que o diabo amassou.

Essa palavrinha tão pequenininha traz consigo uma carga imensa de preconceitos. Na verdade, é uma redução do inglês "emotional", que designa uma variação do rock com letras, digamos, "açucaradas". Para quem não entende, é mais ou menos o seguinte: as bandas fazem barulho, mas cantam coisas do tipo "Quando tudo acabar, você vai estar aqui" (NX Zero) ou ainda "De olhos fechados, eu tento esconder a dor agora" (CPM 22). Segundo os adolescentes, os "emos" são aqueles jovens que vivem tristes, pelos cantos, ouvindo rock que fala de amor e de desilusões amorosas. Em suma, alguém excessivamente "emotivo".

Rótulos são comuns na nossa sociedade. Ser "Emo" poderia ser apenas mais um, mas já ganhou contornos de preconceito explícito. O visual "franjinha-caída-sobre-o-rosto" passou a ser visto com conotação sexual. Chamar alguém de "emo" passou a sugerir homossexualidade. E aí o preconceito passa a ser duplo: contra os que têm essa opção sexual e contra os que têm essa opção musical. As piadas com o assunto quase sempre se apropriam da sonoridade da palavra. Uma "leve": O que o "emo" disse para a "ema"? - Eu te "emo".

No Orkut, há várias comunidades ligadas ao assunto. A mais "populosa" é "Emo - Som de fruta" (para quem também não sabe, a palavra "fruta" é usada para designar homossexuais). Na apresentação da comunidade, os autores escrevem, em linguagem de internet: "Comunidade feita para zuar os emos, não é preconceito contra 'Homosexuais', é apenas uma questão de gosto, todos temos LIBERDADE DE EXPRESSÃO, não tenham medo de se expressar".

Como se vê, ainda precisamos evoluir muito no respeito às minorias. A julgar pela filosofia amorosa dos "emos", o mundo até que seria melhor se usasse franjinha. Qual o problema nisso?

Até a próxima semana.

Menelau Júnior é professor de Português
menelaujr@uol.com.br

 
 
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