Pouco tempo depois de a ministra do Turismo Marta Suplicy recomendar um “relaxa e goza” aos brasileiros, ocorre o maior acidente aéreo da “história desse país”. Outro ministro de Lula, Guido Mantega, da Fazenda, justificou o caos aéreo culpando os passageiros e elogiando o (vergonhoso) governo brasileiro: “É a prosperidade do país: mais gente viajando, mais aviões, mais rotas”. E o assessor do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, foi flagrado fazendo gestos obscenos ao assistir a uma reportagem do Jornal Nacional que revelava a possibilidade de falha mecânica no avião da TAM, isentando (parcialmente) o governo da culpa. O assessor do presidente comemorou: livrar a cara do (vergonhoso) governo brasileiro é mais importante que a vida das vítimas do acidente. Em abril, os deputados do PT fizeram tudo que era possível para barrar a CPI Aérea. É assim que o governo Lula tem tratado os brasileiros que precisam voar. Ele mesmo, nosso desinformado presidente, justificou a lotação dos aeroportos no Natal de 2006 com a seguinte frase: “Tudo isso demonstra que está aumentando a capacidade de viajar do povo brasileiro”. Após o acidente de 17 de julho, Lula se escondeu durante três dias até fazer um pronunciamento lamentando a tragédia.
As redes de TV passaram a semana noticiando o desastre. E ao relatarem o acidente, algumas palavras tornaram-se comuns. Muitos repórteres usaram a forma “aterrissagem” e outros “aterrizagem”. O que dizem os dicionários? O verbo é “aterrissar” (com SS), o que justifica a forma “aterrissagem”. Entretanto, uma língua se faz muito mais por seus usuários do que por formas recomendadas nos livros. Alguns dicionários já registram o verbo “aterrizar”, em função de seu uso no dia-a-dia. Entretanto, se você não quer correr riscos, é melhor “aterrissar” sempre, e não “aterrizar”, forma criticada por muitos.
Todos ouviram falar também da Infraero, a estatal (sempre uma estatal) responsável pela administração dos aeroportos. O nome é uma sigla, referente a “Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária”. No primeiro governo Lula, a Infraero gastou milhões transformando aeroportos em shopping centers e não deu a mesma importância às pistas de pouso e decolagem. Mas o que isso importa? Semana passada, o assessor especial da Presidência deu o tom de seriedade desse país: enquanto famílias choravam seus entes queridos, ele comemorava, com gestos obscenos, a possível falha mecânica do avião. Milton Zuanazzi, presidente da Anac, a agência responsável pela fiscalização do setor aéreo, não entende nada de aviões. A melhor credencial que ele tem para ocupar o cargo é uma carteirinha do PT. Está explicado. Está tudo bem explicado.