Há vários anos acompanho alunos do Ensino Médio durante o período dos vestibulares. Faço parte de um colégio que foi um dos pioneiros em dar assistência aos "feras" nas vésperas e dias de prova, hábito trazido a esta cidade por colégios como o Exatus e o Geo. Nos últimos anos, os locais de prova transformaram-se. Cada colégio com seu ponto de apoio, distribuindo água, chocolate, frutas, biscoitos, picolés e carinho a seus alunos. Mas um olhar atento revela um certo descaso: há alguns vestibulares que não atraem a atenção. O que acontece? O sonho de quem quer passar em uma faculdade de Caruaru é menor do que o daqueles que desejam um curso na UFPE ou na UPE? Quanto vale um sonho? Quanto custa uma ausência? É óbvio que não é a presença de diretores, professores ou funcionários que trará a aprovação de um fera. Não é a distribuição de mimos que leva a uma aprovação. Não é isso. A presença dos colégios nos locais de prova tem um quê de propaganda, claro, mas é também um apoio moral, uma divisão de responsabilidades, um sonho sonhado junto. Se virou tradição, abracemo-la. Os jovens que se submetem às provas querem abraçar os amigos, querem uma palavra de afeto de seus professores, querem comentar a prova. Eles querem o carinho da família - principalmente quando não conseguem a vaga. Na hora da reprovação, não se deve pôr o dedo na ferida. Uma conversa após alguns dias ensina muito mais do que um "você não passou porque...". Então, o mínimo que se pode fazer é acompanhá-los nesses dias, abraçá-los, dar carinho depois que o conhecimento já foi passado. Os primeiros lugares, quase sempre monopolizados por dois ou três colégios, viram estrelas de páginas de jornais e de propagandas. E os outros? Bom, esses merecem o nome registrado também! Não há sonhos maiores que outros, senhores! O aluno que passa em primeiro lugar ou em Medicina pode ser um trunfo dos colégios - e o são em qualquer lugar do país!, mas o sonho destes não é maior que o dos demais. E nossos feras merecem carinho e atenção, mesmo quando estão fazendo vestibulares de pouca concorrência. Fico feliz ao ver, a cada ano, mais colégios nos pontos de prova, prestigiando nossa cidade e nossos estudantes. O vestibular da Federal, que começa amanhã, pode ser o mais importante do Estado, e as aprovações são ainda mais festejadas pelo nível de dificuldade. Mas a propaganda passa. Os sonhos ficam. O sonho da UFPE não é maior que o da Asces, da Fafica, da Favip. A cada aprovação - seja em concorrências gigantescas, seja em concorrências pífias -, há mais um jovem entrando no Ensino Superior. Num país como o nosso, isso deve ser sempre comemorado.
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