Os colégios estão na época de renovar a matrícula escolar. Uma boa indicação da qualidade do educandário é olhar o tipo de fôlder que a escola apresenta. Não, não estou me referindo ao tipo de material, mas ao texto contido nele. É óbvio que é possível ocorrer erro de digitação - e isso é perdoável. O que não dá para suportar é fôlder com períodos malfeitos ou construções equivocadas (para não entrar no campo da propaganda enganosa). Propaganda de colégio ou de faculdade tem obrigação de respeitar a norma culta da língua. Não é favor, não é virtude; é obrigação mesmo. E nem adianta culpar algumas agências de publicidade. Escolas têm direção e professores para revisar esse tipo de material. Erros de concordância, pontuação, regência não se justificam. A palavra "folder" é de origem inglesa. Importantes dicionários, como o Aurélio e o Michaelis, trazem a palavra sem acento, na forma inglesa. Mas o Houaiss já registra a palavra de forma aportuguesada, "fôlder", acentuada por se tratar de uma paroxítona terminada em "-r", a exemplo de "revólver", "cadáver", "fêmur", entre outras. O plural se faz com o acréscimo de "-es": "fôlderes". Para a forma inglesa, o plural é "folders", construção que não corresponde às regras da nossa língua. Palavras estrangeiras são comuns na nossa língua. Na semana que passou, várias pessoas me perguntaram como é a grafia de "muçarela". Tudo por causa de um programa de TV em que as pessoas tentam demonstrar que sabem mais que um aluno de 5ª série. Disseram-me que até a professora errou. A forma correta é a que o programa apresentou: "muçarela" com "Ç". Pode ser "mozarela" também. A forma com "SS" está disseminada, mas não encontra respaldo nos dicionários. Na dúvida, procure sempre o "pai dos burros", porque "burro" mesmo é quem não deseja aprender.
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