Semana passada, mais de 17 mil pessoas fizeram mau uso do dinheiro e do tempo para assistir ao deprimente show das bandas Saia Rodada e Aviões do Forró. Elas não são ruins, são péssimas, apelativas, bobas. O evento foi chamado de Caruaru Elétrico. Se eu pudesse, desligaria a eletricidade. "Caruaru Desplugado" seria um evento muito mais produtivo. Se nossos jovens freqüentassem mais as livrarias, lessem e estudassem mais, não haveria coisas como Caruaru Elétrico. Mas como nossos jovens não lêem, não estudam, não se informam, sempre vai haver coisas dessa natureza. Somos primatas. É genético. Desplugaram também as salas de cinema. As charmosas, que existiam no centro da cidade, viraram igrejas evangélicas. Vieram as do Shopping Center. O cinema virou, definitivamente, produto de elite. Só que em Caruaru, no ano do sesquicentenário, cinema virou produto de fantasia. Só em sonho. Tudo bem que as salas do Shopping devem voltar a funcionar em 2008, mas aqueles que admiram a tela grande ficaram órfãos. Ver em DVD nunca será a mesma coisa. O cinema tem charme, permite a discussão após o filme, une as pessoas, socializa a diversão. Sem cinemas, nossa cidade ficou mais pobre ainda. O que nos restou? Para quem gosta de cinema, restaram os DVDs piratas vendidos a 5 reais; para quem não gosta de filmes, ou de livros, ou de conteúdo, restou o Caruaru Elétrico. Na próxima semana, a maior casa de shows da cidade trará a banda Engenheiros do Hawaii. A última vez em que os gaúchos estiveram aqui foi em 1993. Estarei lá, claro, mas quero ver o respaldo do público. Se a casa não estiver cheia, estará provado: gostamos mesmo é de baixaria, de mulher sendo xingada e chamada de "rapariga". Estará provado que o jovem caruaruense não tem bagagem intelectual para letras mais complexas e para musicalidade refinada. Ficaremos com o Caruaru Elétrico. Afinal, somos primatas. É genético.
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