Quando este jornal chegar às bancas, neste sábado, faltarão poucas horas para que os Engenheiros do Hawaii subam ao palco de uma famosa casa de shows da cidade. Catorze anos depois, eles estão de volta a Caruaru, para consolar os corações daqueles que, como eu, não agüentam mais tanta "poluição sonora" que a cidade oferece. Humberto Gessinger, líder da banda e único remanescente da formação original, é especialista em trocadilhos e jogos de vocabulário. "O Fascismo é fascinante, deixa a gente ignorante fascinada" é trecho de uma de suas mais famosas canções. Isso para não falar nos malabarismos lingüísticos presentes em "Parabólica", canção feita em homenagem à filha dele, Clara: "Prenda a minha parabólica, princesinha clarabólica, o pecado mora ao lado e o paraíso paira no ar". Em "O papa é pop", Gessinger brinca com a aliteração, figura de linguagem que se caracteriza pela repetição do mesmo som consonantal: "O papa é pop, o papa é pop, o pop não poupa ninguém". Em "O Preço", o poeta deixa transparecer que passou a madrugada acordado a partir da descrição das luzes do prédio em frente: "Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu", canta ele no início da canção, para logo depois escrever: "Mais uma luz se apaga no prédio em frente ao meu/ É a última janela iluminada". Quem for assistir ao show da banda, vai poder rever sucessos de uma carreira muito bem-sucedida em versões acústicas. As letras sempre foram o diferencial desta banda que, assim como a Legião Urbana, sempre teve fiéis seguidores. Os Engenheiros, que completaram em 2006 vinte anos de estrada, mudaram. Os temas já não são tão políticos como antigamente, mas a poesia continua fluindo da mente de Humberto. E nesse cenário musical caruaruense, em que se dança num campo minado, ter a visita de Gessinger é, no mínimo, alentador. O pop vai tomar conta da cidade hoje. Ele não poupa ninguém mesmo.
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