Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

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Adeus, campo de batalha

Sou um fracasso. Há três semanas, usando o direito de resposta, um assessor de imprensa escreveu (mas deixou que outrem assinasse) indiretamente que sou um fracasso. Estava certíssimo. Tomei o início do ano para fazer uma análise e também cheguei a essa conclusão.
Neste espaço, dividi orientações de como escrever usando o padrão formal da linguagem com opiniões sobre diversos temas. Os principais, quem lê a coluna sabe: Lula, os "petralhas" e o forró estilizado. Falhei copiosamente. Fracassei risivelmente. Lula continua brilhando na presidência, o PT continua jurando que não houve mensalão e os forrozeiros continuam ganhando muito, mas muito dinheiro. Eu só levei bomba: meus amigos (quase todos petistas e lulistas) dizem que sou "reacionário", "analfabeto político", de "extrema direita". Só não me chamaram ainda de "fascista", mas já devem ter pensado nisso.
Quando o assunto é nossa cultura, escutei recentemente a defesa do forró estilizado como "cultura popular". E ainda ouvi o conselho de que precisaria ter embasamento em teóricos para fazer minhas críticas. Imagina estudar "teóricos" (bem pouco "práticos") para criticar bandas de forró estilizado! Dupla perda de tempo!
Meus amigos me chamam às vezes de "Diogo Mainardi" (o que, para mim, é um elogio); já me disseram que eu era o Gregório de Matos, escritor barroco de língua afiadíssima (quem me dera!). Não me chamaram ainda de Paulo Francis, mas não duvido que me coloquem como fã dele. Mas deu em quê? Em nada! O máximo que consegui foram elogios de quem lia a coluna e dizia: "-Você escreve o que eu gostaria de falar". Em nome disso, fiz algumas inimizades. O escritor Umberto Eco escreveu que "nem todas as verdades são para todos os ouvidos". Jesus, questionado por Pilatos sobre o que seria a verdade, calou-se. Lao-Tse escreveu que "as palavras verdadeiras não são agradáveis, e as agradáveis não são verdadeiras".  Fui verdadeiro e, por conseguinte, desagradável. Desagradabilíssimo, uma vez que me vem à mente José Dias, personagem de Dom Casmurro afeiçoado aos superlativos.
Então, senhores, estou aqui depondo as armas. Já falei demais (e VANGUARDA nunca censurou!). Critiquei, denunciei, achincalhei impiedosamente. Minha voz destoou de muita gente quando critiquei nosso São João ou quando vociferei contra a "cultura popular" das bandas de forró estilizado. Levaram até para o lado pessoal! Cansei. Cansei do Lula, cansei dos "petralhas", cansei da "cultura popular". Só espero que alguém escreva de vez em quando com coragem, como faz o Carlos Sá neste semanário. Tenho a desculpa para minha covardia: esta coluna é sobre a língua portuguesa. Serei "reacionário" agora no silêncio. O silêncio da covardia, é verdade. Mas também o silêncio que diz: "-Eu não disse?". Este "boca do inferno" só quer paz e amor em 2008. "O inferno são os outros", disse Drummond.

 
 
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