Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

contato@menelaujr.com.br
 
Faltam gênios
Confesso que novelas não me atraem. Simplesmente não tenho paciência para acompanhar, dia a dia, o desenrolar das mesmas tramas. Mas semana passada, num instante em que, freneticamente, trocava de canais pelo controle remoto, vi a personagem da Letícia Spiller, da novela Duas Caras, soltar a seguinte frase durante um diálogo com o ator Oscar Magrini: "-Sua filha é uma gênia!". Quem teve a genialidade de escrever isso no roteiro da atriz?
Letícia já foi Paquita da Xuxa. Isso talvez explique a palavra "gênia". Xuxa, quando tinha um programa voltado aos jovens no qual entrevistava "celebridades", costumava pronunciar a palavra "ídola". Cansei de ouvir Xuxa perguntando quem era a "ídola" do entrevistado. Letícia, ao usar "gênia", envereda pelo mesmo caminho do deslize gramatical.
"Ídolo" e "gênio" são substantivos classificados como "sobrecomuns", ou seja, mesmo se referindo a seres de sexos diferentes, possuem o mesmo gênero: "O ídolo" e "O gênio", para homens ou mulheres. Nada de dizer que Britney Spears é "a ídola" de muitos adolescentes; Britney é "O ídolo". Da mesma forma, a frase da personagem de Letícia Spiller deveria ser: "-Sua filha é um gênio!"
Obviamente, novelas tendem a reproduzir o falar das pessoas, e não há nada errado nisso. O problema é que, numa situação como essa, a fala da personagem acaba sendo um péssimo exemplo para quem pretende seguir a norma culta do idioma. Melhor sempre ter cuidado e não levar muito a sério os "gênios" da televisão.
 
 
“Emo”. Qual o problema?
Mataram a mesóclise
“Pegaram ele”
Ninguém fala “certo”
Negócios da China
Os cães e eu
Vim, Vir e Vier
Livros antes dos computadores
História ou Estória?
O pelo do cachorro não para de cair
Um número da chuva
“A minha cidade sou eu quem faço”
A vez delas
As lições do Príncipe
Nossos coringas são piores
Santa ironia
As cores do discurso político
Compre bem
Noticiário policial
Heróis e anti-heróis
Dias de frio
Fuzarca religiosa
Viva a liberdade de imprensa!
Fumando palavras
Mundo Bizarro
Parabéns, Caruaru!
A beleza do “tu”
Todo o mundo precisa saber
O circo da morte
A contribuição indígena
A morte do trema
Boa sorte, meninos
Para a lama
Escolhe, pois, a vida
As conversas de Gisele
Mulher, mulher
O presidente fala mal?
Fidel pediu para sair
“Eu corrijo ela...”
"Se o seu problema é à vista..."
Quando acabam as férias
Sempre a crase
E os neurônios?
Adeus, campo de batalha
Fim de Ano
Há salvação
Engenharia da Mudança
É genético
A hora dos fôlderes
O tamanho dos nossos sonhos
Céus e Terra passarão
Um novo mandato?
Inteligência no rock
A metáfora do zoológico
A força da Tropa
Sonhando sonhos
Língua de Elite
As vans são o grande vilão
Vergonha de ser brasileiro
Tony e os alemães
A quadrilha no banco dos réus
Auto-exame e autoconhecimento
Cordelistas do Futuro
Somos todos cães
Concordância Traiçoeira
O que dizem as caixas-pretas
Relaxa e... São apenas 200 mortos