Neste domingo, os cristãos comemoram a Páscoa. No período que antecede este dia, a Igreja Católica vive a quaresma e aproveita para discutir com a sociedade a Campanha da Fraternidade, este ano com o tema "Escolhe, pois, a vida". Já andaram me perguntando sobre esse "pois" no meio da oração, separado por vírgulas. Não costumo comentar neste espaço situações que envolvem muita nomenclatura, até porque a coluna pretende ser acessível a todos, inclusive àqueles que não se lembram mais das aulas de análise sintática. Mas perece que, dessa vez, há uma boa justificativa para falar de orações coordenadas. A conjunção "pois" normalmente vem no início das orações e tem um valor explicativo. Quando dizemos "Venha, pois estou esperando", a oração "pois estou esperando" tem um valor de explicação em relação à primeira ("Venha"). Entretanto, a conjunção "pois" pode aparecer deslocada na oração. Nesses casos, já não tem um valor explicativo, mas conclusivo. E é justamente por estar deslocada (ou seja, fora de sua posição habitual, o início da oração) que ela fica isolada por vírgulas. Em "Escolhe, pois, a vida", há um valor de conclusão. É como se a Igreja estivesse dizendo que há valores de vida e valores de morte. E concluísse: "Escolhe, pois, a vida". Há quem pergunte se não seria "Escolha". Aí entramos no terreno dos imperativos. A forma "Escolha" pertence à terceira pessoa do singular, pressupondo o tratamento "você". A forma "Escolhe" é de segunda pessoa, tem como sujeito "tu". Usar uma ou outra não faz diferença. Aproveito para desejar a todos uma feliz Páscoa. Mais que uma celebração do chocolate, que este domingo nos sirva de reflexão acerca da vitória da vida sobre a morte. Escolhamos, pois, a vida. |