No padrão formal da língua portuguesa, faz-se uma distinção entre o uso de "todo" e "todo o". Sem artigo, o pronome "todo" pode significar "qualquer", ou mesmo "todos". Isso ocorre, por exemplo, quando dizemos que "toda criança precisa de carinho" ("todas as crianças precisam de carinho"). Seguido de artigo, "todo" passa a significar "inteiro": "Toda a família precisou viajar" ("A família inteira precisou viajar"). Quando usamos "todo" com valor de advérbio (significando "completamente"), o mais recomendável é não fazer flexão alguma, embora haja gramáticos que abonem a concordância. Assim, é preferível que se diga "Ele chegou todo molhada" a "Ela chegou toda molhada", embora esta forma seja mais usada que aquela. Observe que, nesse caso, "todo" modifica um adjetivo ("molhada") e funciona, portanto, como advérbio. Quando o caso é a expressão "todo o mundo", mais uma vez os gramáticos não se entendem. Dois dos mais famosos divergem sobre o tema. Para o professor Sacconi, a única forma adequada é "todo o mundo" (com o artigo); já Paschoal Cegalla, em seu Dicionário de dificuldades da língua portuguesa, abona as duas formas, embora escreva que "todo o mundo" é preferível. Cegalla ainda alerta: "O uso do artigo é obrigatório quando mundo se usa no sentido de orbe, Terra: O lixo doméstico é um grave problema em todo o mundo". Em resumo, quando for usar a expressão "todo o mundo", faça-o sempre com o artigo: ninguém vai contestar. Obviamente, na fala esse artigo acaba "desaparecendo", o que é a causa para quase todo o mundo escrever "todo mundo". Até a próxima semana.
Menelau Júnior é professor de Português menelaujr@uol.com.br |