No próximo fim de semana, tem início o São João de Caruaru. Alguns leitores meus devem estar ansiosos: é o período em que fico mais mal-humorado. Em 2007, passei sete semanas falando mal das drilhas, das bandas, da festa. Uns adoraram; outros repudiaram. Mas ninguém ficou sem comentar. Nesse quesito, acho que os organizadores me vêem como o Lex Luthor, sempre disposto a acabar com o Super-Homem. Para os cantores das bandas que puxam as drilhas, devo ser como o Coringa, inimigo do Batman, sempre com uma piada sem graça. E alguns empresários devem me considerar o Duende Verde. Sou mesmo o vilão dessa festa. De que adiantou tanta maldade? De nada! Lex Luthor nunca teve criptonita suficiente para acabar com o homem de aço; o Coringa sempre acabou atrás das grades; o Duende Verde morreu numa luta com o Homem-Aranha. Ser vilão pode até ser bom, mas no mundo real eles sempre levam a pior. Cansei de quadrinhos. Nas histórias do Super-Homem, existe um mundo bizarro, em que tudo se dá ao contrário: Lex Luthor é bom, Super-Homem é mau. Vou criar meu São João Bizarro: passarei alguns dias ouvindo Valdir Santos, Santanna, Geraldinho Lins, Território Nordestino, Flor de Mandacaru, Azulão e tantos outros - principalmente caruaruenses - que precisavam ser mais valorizados. Nesse meu São João Bizarro, só vou falar bem desses artistas, só vou ouvir música de qualidade, só vou me divertir com conteúdo. Nesse São João Bizarro, não haverá drilhas - até porque essa festa eu faço sozinho. No São João Bizarro, não tem Parque de Eventos: os personagens vão fazer a festa em suas ruas, com suas famílias, em segurança. Se haverá fogueiras? Claro! Mas não serão usadas árvores como combustível. No meu mundo bizarro, vamos pegar algumas coisinhas do São João dos normais e colocar para queimar. Afinal de contas, no São João Bizarro, posso ser o Super-Homem. E o Super-Homem é mau.
Menelau Júnior é professor de Português |