Nasci em 1974. Isso significa que parte de minha adolescência ocorreu no início dos anos 90, quando o mundo passava por mudanças significativas em todas as áreas. Para um jovem que cresceu lendo quadrinhos, uma dessas mudanças estava relacionada à maneira como os heróis passavam a ser retratados. Quem tem um pouco mais de trinta sabe muito bem que os filmes de super-heróis de hoje têm influência dos anos 90. O novo Batman vem aí inspirado parcialmente na ultraviolenta série "O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller. Foi em 1998 que o mesmo autor lançou 300 de Esparta, que acabou virando filme recentemente. O Homem-Aranha ganhou ares mais adultos (e uma versão de uniforme negro) e o Wolverine tornou-se quase um anti-herói, cada vez mais fora de si. Mas nenhuma fronteira entre o heroísmo e o anti-heroísmo foi tão tênue quanto nas histórias de Spawn, o soldado do inferno (que também virou filme!) Palavras como "super-herói" e "anti-herói" trazem consigo uma dúvida constante para quem escreve: o uso do hífen. Nas linhas acima, escrevi "ultraviolenta", sem hífen. As regras exigem memorização e, com as mudanças ortográficas que entram em vigor no próximo ano, muita coisa vai mudar no que se refere ao uso do hífen. No caso do prefixo "anti-", atualmente ele exige hífen quando a palavra seguinte começa com H, R ou S. Por isso, "anti-herói", "anti-rábica", "anti-séptico". Quando as mudanças forem adotadas, "anti-" passará a exigir hífen apenas diante de H ou da letra "i", uma vez que "anti-" termina com "i". Assim, se hoje empregamos "antiinflamatório", passaremos a escrever "anti-inflamatório"; se hoje temos vacina "anti-rábica", passaremos a ter "antirrábica"; e "anti-séptico" vai virar "antisséptico". "Anti-herói" continuará sendo escrita da mesma forma, uma vez que o hífen continua obrigatório diante do H. Mas é bom ficar de olho nas novas regras. Neste espaço, voltaremos a discutir as mudanças da língua portuguesa. Um forte abraço. Vou ler um gibi agora.
Menelau Júnior é professor de Português |