Nos jornais, são comuns expressões exageradas quando lemos as páginas dos fatos policiais. E quando a matéria tende a ser sensacionalista, haja exageros! Se a pobre vítima foi alvejada por um projétil calibre .38, lemos que foi "fuzilada". Ora, alguém só é "fuzilado" quando leva tiros de "fuzil"!! Aliás, não custa nada lembrar que a arma é "fuzil" (com Z); o dispositivo eletrônico é "fusível" (com S). Tem gente por aí dizendo que o "fuzil queimou". Desse jeito, a língua portuguesa acaba fuzilada! Outra palavra em voga no noticiário policial é "chacina". Uma das mais famosas, a da Candelária, no Rio de Janeiro, teve como sobrevivente o menor Sandro do Nascimento, que anos depois se tornaria conhecido no Brasil inteiro pelo seqüestro do ônibus da linha 174, do Jardim Botânico, cujo desfecho trágico levou à morte, pelas mãos de um policial do Bope, uma professora feita refém. "Chacina", que a matança brutal de homens, nem sempre é uma "carnificina". Quando lemos que quatro pessoas foram mortas numa só investida de bandidos, temos uma "chacina". A "carnificina" pode ser de seres humanos ou de animais, e pressupõe uma matança com requintes de crueldade. A história nos mostra, por exemplo, que povos bárbaros saqueavam aldeias e matavam os moradores com machados, espadas e foices. Nesses casos, a palavra mais adequada é "carnificina". Já a palavra "massacre" difere das duas acima porque não precisa, necessariamente, ter o componente da crueldade. Numa guerra, sempre há o massacre de inocentes, de famílias e, em alguns casos, de prisioneiros. Os alemães massacraram os judeus durante a II Guerra Mundial. É óbvio que o sentido, em alguns casos, é muito aproximado, mas é preciso escrever com cuidado, sem dar asas às idéias cinematográficas que povoam nossa mente. Quando um grupo de pessoas morre vítima de tiros num mesmo local, temos uma "chacina". Quando um psicopata como Jason (da série Sexta-Feira 13) mata, com crueldade, adolescentes desavisados que acampam, temos uma "carnificina". Quando um grupo é morto (muitas vezes por questões "nobres" ou "políticas", como se diz nas guerras), temos um "massacre". Bom mesmo seria que essas palavras fossem banidas dos dicionários pela falta de uso. Mas "o maior problema da humanidade vai ser sempre a humanidade"... Até a próxima semana.Menelau Júnior é professor de Português |