Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

contato@menelaujr.com.br
 
Compre bem

Esta semana, tive uma experiência agradável ao fazer compras no supermercado Comprebem, da rede Pão de Açúcar. Passava das duas horas da tarde quando me dirigi ao estabelecimento a fim de comprar alimentos que me ajudassem no regime que inicio todas as semanas - e do qual saio logo no dia seguinte. De qualquer forma, lá estava eu, empurrando o carrinho, e ouvindo, pelo sistema de som, Caetano Veloso, Djavan e Geraldo Azevedo.
O episódio me fez refletir sobre as lojas de eletrodomésticos da cidade. Em suas TVs cada vez maiores e de imagens mais nítidas, elas exibem geralmente shows de bandas de forró estilizado, as mesmas aberrações que fazem a festa dos alienados no Parque de Eventos. O cliente entra na loja e já se depara com um convite inusitado: "Chupa, que é de uva", "Senta, que é de menta" ou "Relaxa, que é de borracha". Nos telões, bailarinas vulgarizam o que um dia foi o forró. E cantores vomitam letras idiotas, sob os olhares da massa ensandecida.
Os gerentes de lojas precisam ter um pouco mais de bom senso e respeito ao próprio cliente. No caso do Compre-bem, não resisti e parabenizei o gerente Wallace. Nem sei se lá se praticam os melhores preços (como homem, não tenho o hábito de pesquisar), mas como cliente me senti respeitado ao fazer compras num ambiente agradável. Até a fila do caixa pareceu menor, uma vez que me distraí cantando "Você é linda", do Caetano.
Se nossas lojas de eletrodomésticos fazem questão de exibir shows nas TVs para atrair o consumidor, que tenham, no mínimo, refinamento musical. E a responsabilidade é dos gerentes. Basta de vulgaridades mercadológicas, senhores. Não é puritanismo: é civilidade. Ao escolherem os DVDs para exibir em suas lojas, procurem dar ao público um pouco de decência, lirismo, inteligência. No forró é possível encontrar exemplos disso também, mas não com o que está aí.
Não falo aqui como consultor empresarial (o Eugênio Sales faria infinitamente melhor), mas como consumidor. O Brasil tem uma cultura riquíssima, principalmente no quesito musical. Quem vai a um supermercado ou a uma loja, merece conhecer um pouco disso. Quem quer baixaria, já tem o mês de junho para saciar suas extravagâncias.

Menelau Júnior é professor de Português

 
 
“Emo”. Qual o problema?
Mataram a mesóclise
“Pegaram ele”
Ninguém fala “certo”
Negócios da China
Os cães e eu
Vim, Vir e Vier
Livros antes dos computadores
História ou Estória?
O pelo do cachorro não para de cair
Um número da chuva
“A minha cidade sou eu quem faço”
A vez delas
As lições do Príncipe
Nossos coringas são piores
Santa ironia
As cores do discurso político
Noticiário policial
Heróis e anti-heróis
Dias de frio
Fuzarca religiosa
Viva a liberdade de imprensa!
Fumando palavras
Mundo Bizarro
Parabéns, Caruaru!
A beleza do “tu”
Todo o mundo precisa saber
O circo da morte
A contribuição indígena
A morte do trema
Boa sorte, meninos
Para a lama
Escolhe, pois, a vida
As conversas de Gisele
Mulher, mulher
O presidente fala mal?
Fidel pediu para sair
“Eu corrijo ela...”
"Se o seu problema é à vista..."
Faltam gênios
Quando acabam as férias
Sempre a crase
E os neurônios?
Adeus, campo de batalha
Fim de Ano
Há salvação
Engenharia da Mudança
É genético
A hora dos fôlderes
O tamanho dos nossos sonhos
Céus e Terra passarão
Um novo mandato?
Inteligência no rock
A metáfora do zoológico
A força da Tropa
Sonhando sonhos
Língua de Elite
As vans são o grande vilão
Vergonha de ser brasileiro
Tony e os alemães
A quadrilha no banco dos réus
Auto-exame e autoconhecimento
Cordelistas do Futuro
Somos todos cães
Concordância Traiçoeira
O que dizem as caixas-pretas
Relaxa e... São apenas 200 mortos