Esta semana, tive uma experiência agradável ao fazer compras no supermercado Comprebem, da rede Pão de Açúcar. Passava das duas horas da tarde quando me dirigi ao estabelecimento a fim de comprar alimentos que me ajudassem no regime que inicio todas as semanas - e do qual saio logo no dia seguinte. De qualquer forma, lá estava eu, empurrando o carrinho, e ouvindo, pelo sistema de som, Caetano Veloso, Djavan e Geraldo Azevedo. O episódio me fez refletir sobre as lojas de eletrodomésticos da cidade. Em suas TVs cada vez maiores e de imagens mais nítidas, elas exibem geralmente shows de bandas de forró estilizado, as mesmas aberrações que fazem a festa dos alienados no Parque de Eventos. O cliente entra na loja e já se depara com um convite inusitado: "Chupa, que é de uva", "Senta, que é de menta" ou "Relaxa, que é de borracha". Nos telões, bailarinas vulgarizam o que um dia foi o forró. E cantores vomitam letras idiotas, sob os olhares da massa ensandecida. Os gerentes de lojas precisam ter um pouco mais de bom senso e respeito ao próprio cliente. No caso do Compre-bem, não resisti e parabenizei o gerente Wallace. Nem sei se lá se praticam os melhores preços (como homem, não tenho o hábito de pesquisar), mas como cliente me senti respeitado ao fazer compras num ambiente agradável. Até a fila do caixa pareceu menor, uma vez que me distraí cantando "Você é linda", do Caetano. Se nossas lojas de eletrodomésticos fazem questão de exibir shows nas TVs para atrair o consumidor, que tenham, no mínimo, refinamento musical. E a responsabilidade é dos gerentes. Basta de vulgaridades mercadológicas, senhores. Não é puritanismo: é civilidade. Ao escolherem os DVDs para exibir em suas lojas, procurem dar ao público um pouco de decência, lirismo, inteligência. No forró é possível encontrar exemplos disso também, mas não com o que está aí. Não falo aqui como consultor empresarial (o Eugênio Sales faria infinitamente melhor), mas como consumidor. O Brasil tem uma cultura riquíssima, principalmente no quesito musical. Quem vai a um supermercado ou a uma loja, merece conhecer um pouco disso. Quem quer baixaria, já tem o mês de junho para saciar suas extravagâncias.
Menelau Júnior é professor de Português |