A língua portuguesa é "machista". E temos várias razões para explicar isso. Basta dar uma olhada na concordância: o pronome "alguém" é neutro (pode-se referir a homem ou mulher), mas ninguém diz "Alguém chegou atrasada". Numa sala de aula, referimo-nos a todos os alunos sempre no masculino: "Os alunos desta turma". Para tentar "resolver" a questão (e ser "politicamente correto"), oradores adotaram formas masculinas e femininas em vocativos. Num congresso, fala-se agora nos "brasileiros e brasileiras"; num seminário, virou moda dizer "a todos e todas aqui presentes". Bobagem. O uso do masculino engloba todos os seres e deixa o texto "enxuto". Usar a forma masculina e a feminina o tempo inteiro empobrece o texto e nada acrescenta. Nesse caso, o "machismo" pode ser perdoado. Mas o problema do gênero vai além disso. Semana passada, um jornal de grande circulação em Pernambuco estampou matéria cujo título trazia a expressão "Piloto mulher". As gramáticas reconhecem feminino para o substantivo "piloto": "pilota". Outro drama ocorre na campanha eleitoral deste ano aqui em Caruaru. Um dos candidatos a prefeito é mulher. Numa mensagem executada em carro de som, fala-se da "primeira prefeita mulher" de Caruaru. Redundância. Se é prefeita, é mulher. Poder-se-ia falar em "o primeiro prefeito mulher" da cidade (é esquisito, mas adequado, uma vez que "prefeito" é o cargo) ou, simplesmente, a primeira prefeita. Patentes do exército também possuem formas femininas, embora pouca gente utilize. "Capitão" tem como feminino "capitã" ou "capitoa" (em desuso); "general" assume a forma "generala" e "coronel" fica "coronela". "Tenente" e "cabo" possuem a mesma forma para ambos os gêneros. Para terminar, e "soldado"? A imprensa costuma utilizar a forma "a soldado", mas as gramáticas registram o feminino "soldada". Na hora da dúvida, o bom mesmo é recorrer a uma gramática. No capítulo destinado ao estudo dos substantivos, há várias formas que podem causar dúvidas. Com paciência e vontade, sempre dá para aprender alguma coisa. Um forte abraço. Até a próxima semana.Menelau Júnior é professor de Português menelaujr@uol.com.br |