Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

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“A minha cidade sou eu quem faço”

Há quinze dias, a prefeitura de Caruaru espalhou outdoors pela cidade lembrando à população que todos somos responsáveis pelo combate ao mosquito causador da dengue.
Uma frase se destaca no outdoor: "A minha cidade sou eu quem faço". E o trecho "sou eu quem faço" merece nossa atenção esta semana.
Primeiramente, é bom lembrar que estamos diante de um período composto, no qual a segunda oração é "quem faço", com o pronome "quem" funcionando como sujeito. A questão é que, quando o pronome relativo "quem" funciona como sujeito, podemos escolher com que termo o verbo concordará. Ensinam-nos as gramáticas que, nesse caso, a concordância na terceira pessoa do singular é mais elegante: "A minha cidade sou eu quem faz". Para quem acha a concordância estranha, basta colocar o período na ordem direta: "Quem faz a minha cidade sou eu". Pronto, fica muito claro que a forma "faz" concorda com o "quem".
Entretanto, quando se quer realçar o agente da ação verbal, pode-se fazer a concordância com o termo que antecede o "quem". Assim, quando se fez a escolha por "A minha cidade sou eu quem faço", a forma verbal "faço" realça a ação do pronome "eu". Se no lugar do "quem" tivéssemos o pronome relativo "que", a concordância com o antecedente seria obrigatória: "sou eu que faço".
Em resumo, no outdoor lançado pela prefeitura, a concordância atende ao padrão formal, mas também poderia ser "A minha cidade sou eu quem faz".

Um abraço e até a próxima semana.

Menelau Júnior é professor de Português
menelaujr@uol.com.br

 
 
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