Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

contato@menelaujr.com.br
 
O pelo do cachorro não para de cair
Se o caro leitor é atento, talvez já esteja pensando: "Faltam dois acentos no título desta coluna". Bom, posso até concordar que realmente faltam, mas não foi esquecimento; foi proposital. A partir de janeiro, é assim que devemos escrever. E esses dois casos são apenas para começo de conversa.

O acordo ortográfico começa a vigorar, efetivamente, a partir de janeiro de 2009. Alguns dicionários já se adiantaram e acabaram de lançar edições adaptadas às novas regras ortográficas. Os livros didáticos terão até 2012 para trazer as modificações, mas é óbvio que as editoras já porão os novos produtos no mercado a partir do próximo ano.

No caso da oração que dá título a esta coluna, os dois acentos deixarão de existir. Na palavra "pêlo", o acento serve para diferenciar da forma "pelo", contração da preposição "por" com o artigo "o". Já a forma verbal "pára" leva acento para diferenciar da preposição "para". Bom, assim será até dezembro. A partir de janeiro, essas duas palavras deixam de ser acentuadas graficamente, até porque o contexto já esclarece o significado de cada uma. Quando alguém disser que "o cachorro deixou pelo pelo quarto", não colocaremos mais o acento no primeiro "pelo".

É bom lembrar que a forma verbal "pôde" (3ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo) continuará recendo o acento, para fazer distinção de "pode" (3ª pessoa do singular do presente do indicativo). Já a palavra "forma" (ô), que atualmente não deve ser acentuada (embora apareça assim nos caderninhos de receitas), poderá ter o acento: uma decisão que caberá apenas a quem escreve.

Há outras mudanças: a mais difundida, sem dúvida, é o fim do trema. Aqueles dois pontinhos usados sobre a letra "u" quando esta é pronunciada nos grupos "qüe", "qüi", "güe", "güi" deixarão de existir. Só serão permitidos em palavras estrangeiras, como "Müller". Isso não quer dizer que a pronúncia mude. "Tranqüilo" passará a ser "tranquilo", mas a pronúncia permanece; o mesmo ocorre com cinqüenta, que passaremos a escrever "cinquenta". O difícil será fiscalizar o computador. Agora mesmo, ao digitar "tranquilo" e "cinquenta", estou tendo de apagar o trema colocado automaticamente pela máquina. Quem vai ensinar isso a elas?

Até a próxima semana.

Menelau Júnior é professor de Português
menelaujr@uol.com.br

 
 
“Emo”. Qual o problema?
Mataram a mesóclise
“Pegaram ele”
Ninguém fala “certo”
Negócios da China
Os cães e eu
Vim, Vir e Vier
Livros antes dos computadores
História ou Estória?
Um número da chuva
“A minha cidade sou eu quem faço”
A vez delas
As lições do Príncipe
Nossos coringas são piores
Santa ironia
As cores do discurso político
Compre bem
Noticiário policial
Heróis e anti-heróis
Dias de frio
Fuzarca religiosa
Viva a liberdade de imprensa!
Fumando palavras
Mundo Bizarro
Parabéns, Caruaru!
A beleza do “tu”
Todo o mundo precisa saber
O circo da morte
A contribuição indígena
A morte do trema
Boa sorte, meninos
Para a lama
Escolhe, pois, a vida
As conversas de Gisele
Mulher, mulher
O presidente fala mal?
Fidel pediu para sair
“Eu corrijo ela...”
"Se o seu problema é à vista..."
Faltam gênios
Quando acabam as férias
Sempre a crase
E os neurônios?
Adeus, campo de batalha
Fim de Ano
Há salvação
Engenharia da Mudança
É genético
A hora dos fôlderes
O tamanho dos nossos sonhos
Céus e Terra passarão
Um novo mandato?
Inteligência no rock
A metáfora do zoológico
A força da Tropa
Sonhando sonhos
Língua de Elite
As vans são o grande vilão
Vergonha de ser brasileiro
Tony e os alemães
A quadrilha no banco dos réus
Auto-exame e autoconhecimento
Cordelistas do Futuro
Somos todos cães
Concordância Traiçoeira
O que dizem as caixas-pretas
Relaxa e... São apenas 200 mortos