"Amar significa nunca ter de pedir perdão." A frase, eternizada no filme Love Story - Uma história de amor (EUA, 1970), marcou época e entrou para a história do cinema, a exemplo de tantas outras, como "Que a Força esteja com você" (Star Wars), "Eu vejo gente morta" (O Sexto Sentido), "Carpe diem, aproveitem o dia" (Sociedade dos Poetas Mortos) e a infame "Pede pra sair, 02!" (Tropa de Elite).
A língua inglesa faz distinção entre duas palavras bem parecidas: "history" e "story". A primeira é usada numa referência aos fatos históricos; a segunda aparece nos relatos fictícios. É como se "History" fosse equivalente a "história", e "story" a "estória".
Curiosamente, o título e o subtítulo em português contradizem essa "lógica". "Love Story - Uma história de amor" parece seguir a recomendação mais comum nos dias de hoje para a nossa língua: usar sempre "história".
A palavra nos vem do grego (Historía), língua na qual é grafada com "h". Começamos a adotar a forma "estória" para designar relatos fictícios provavelmente copiando o inglês, que usa a forma "story" para isso. E aí até muitos dicionários enveredaram pelo caminho, abonando o emprego de "estória" para narrativas de ficção. Entretanto, a recomendação hoje é a de empregar apenas a forma "história", tanto para os acontecimentos da humanidade quanto para a ficção. Quando nos referimos aos fatos históricos, recomenda-se o emprego de "História" com inicial maiúscula; quando falamos de "história" em quadrinhos, por exemplo, a inicial deve ser minúscula.
Nos guias de filmes, encontrei exatamente como escrevi nesta coluna: "Love Story - Uma história de amor". Ou seja, apesar de trazer a forma "Story", em inglês, o subtítulo mantém a forma "história" com "h". Para quem precisar utilizar essa palavra, fica o conselho: escreva sempre com "h". Deixemos o "estória" para quem gosta de contar história. Um forte abraço.
Menelau Júnior é professor de Português menelaujr@uol.com.br |