"Meus filhos terão computadores, mas antes terão livros." A frase, atribuída a Bill Gates, parece um paradoxo quando pensamos que esse é o pensamento do homem que revolucionou o mundo através de seus...computadores! Mas talvez seja justamente esse pensamento que explique o sucesso do Bill Gates: o conhecimento está nos livros.
Recentemente, a livraria Estudantil promoveu mais uma de suas feiras anuais de livros. Durante uma semana, o estabelecimento promoveu palestras e tentou divulgar um pouco mais as obras dos escritores caruaruenses. É louvável a atitude, ainda que, obviamente, também haja o interesse comercial. Mas ao convidar escolas e escritores para suas dependências, a Estudantil oportuniza a muitas crianças e adolescentes a chance de ter contato com o mundo mágico dos livros. E esse mundo precisa ser resgatado dentro de nossas casas.
É óbvio que o mundo moderno nos retira quase todo o tempo. Trabalhar, produzir, render, trabalhar, produzir e render mais constituem os pilares da sociedade de consumo. E no corre-corre diário, os pais quase não têm tempo para ler - e o que é pior, para perguntar se os filhos lêem. O hábito que ler historinhas para as crianças dormirem foi substituído pelas horas à frente do computador, escrevendo de qualquer jeito no MSN. O resultado está nas escolas: alunos que não sabem interpretar, que lêem mal, que falam mal, que se expressam mal. Por conseguinte, que mal compreendem o mundo.
Pode parecer nhenhenhém de professor de português, mas não é. Estamos formando indivíduos sem cultura, sem conhecimento, sem capacidade de argumentação. Precisamos, urgentemente, estimular nossas crianças a ler mais. Mas dizer isso e não criar-lhes o ambiente ideal é como achar que se sobrevive no deserto, durante um mês, com meio litro de água. E o ambiente ideal requer, além de silêncio, exemplos. Pais que não lêem não têm moral para exigir esse hábito dos filhos. Muito menos de exigir que a escola faça alguma coisa por eles. Enquanto o hábito da leitura se restringir a trabalhos exigidos por algumas disciplinas escolares, estaremos perdendo a guerra contra a ignorância. Temos lidado com jovens que não hesitam em pagar muito caro por roupas de grife, tênis de grife, celulares de grife. Os mesmos jovens que não se interessam em comprar sequer um livro a cada dois meses - e isso já seria uma dádiva!! Alguma coisa está muito errada. Com eles ou conosco.
Menelau Júnior é professor de Português menelaujr@uol.com.br |