Uma das maiores dificuldades de nosso idioma é o emprego do hífen. Com a reforma ortográfica que se avizinha e que deve entrar em vigor no início do próximo ano, algumas regras como as conhecemos ficarão no passado. Na prática, os brasileiros continuarão escrevendo mal, mas pelo menos terão a justificativa de que "a língua mudou". Bom, até lá, temos de seguir as regras vigentes. O assunto desta semana nasceu de uma pergunta que me foi feita por uma professora e amiga, Euda Clélia. Euda ensina Biologia em vários colégios da cidade. Eu gostaria de ter sido aluno dela; sou apenas fã. Na Biologia, muitas palavras recebem o acréscimo de prefixos. E aí as dúvidas são inevitáveis: colocar ou não colocar o hífen? No caso do prefixo "auto-", a recomendação é que seja colocado o hífen quando a palavra que se segue ao prefixo for iniciada por vogal ou pelas letras H, R e S. Se a palavra for iniciada por qualquer outra letra, o prefixo "auto-" fica sem hífen. É por isso que "auto-exame" traz o pequeno sinal ("exame" começa com vogal), mas "autoconhecimento" não ("conhecimento" começa com "c"). O mesmo vale para "autopeças", "autodisciplina", "autoflagelação". O curioso é que, enquanto digito essas palavras no computador, minha versão do word indica que elas estão erradas. Como se vê, não dá para confiar nem nos computadores. A "autocorreção" tem defeito.
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