Menelau Júnior
O professor Menelau Júnior é formado em Letras e possui especialização em Língua Portuguesa. É também escritor, apresentador de TV e dá dicas de português também numa emissora de rádio de Caruaru. Leciona desde 1991 e é colunista de VANGUARDA desde 2004.

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A quadrilha no banco dos réus

O Supremo Tribunal Federal mandou um recado ao governo no fim de agosto: ninguém está acima da lei. Ninguém. Isso inclui, obviamente, a "organização criminosa" composta por boa parte da cúpula do PT, partido do presidente. Os "mensaleiros" foram colocados no banco dos réus e agora serão julgados por diversos crimes. Não importa que eles tenham sido perdoados pela Câmara dos Deputados, por seus partidos hipócritas ou pela população desinformada, que dá mandatos a corruptos. A mais alta corte da Justiça brasileira fez o que tinha de fazer.
Lula saiu em defesa dos amigos. Afirmou,  dias depois numa convenção do PT, que o partido é o mais ético do Brasil. Quando deixar a presidência, Lula já pode virar comediante. O Supremo vai julgar José Dirceu, do PT, por corrupção ativa e formação de quadrilha. Vai julgar José Genoíno, ex-presidente do PT, por corrupção ativa e formação de quadrilha. Vai julgar Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, por corrupção ativa e formação de quadrilha. Vai julgar Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, por formação de quadrilha; Duda Mendonça, ex-marqueteiro do PT, será julgado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Não custa lembrar ainda que João Paulo Cunha, deputado do PT, será julgado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. Paulo Rocha, também deputado da legenda, será julgado por lavagem de dinheiro, mesmo destino do Professor Luizinho, ex-deputado do PT.
Em resumo, "a partido mais ético do Brasil" está muito bem representado no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal. A "organização criminosa" é composta por amigos muito íntimos do presidente "não-sei-de-nada". Os crimes são bem diversificados: peculato (que significa apropriar-se de bens de outra pessoa em função do cargo que se ocupa), corrupção ativa (oferecer vantagem indevida a funcionário público para depois obter benefícios), corrupção passiva (aceitar vantagem indevida por causa do cargo que ocupa), formação de quadrilha (associação de quatro ou mais pessoas que cometem um crime).
Na minha ignorância, daria tudo para que o presidente Lula me explicasse o que ele entende por "ética".

 
 
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