Há poucas semanas, VANGUARDA publicou, numa de suas matérias, a seguinte frase: "As vans são o grande vilão do trânsito". E logo recebeu um e-mail com crítica à concordância empregada. O leitor questionava o singular no substantivo "vilão", bem como o emprego do masculino. Sugeriu, até, a correção: "As vans são as grandes vilãs do trânsito". Óbvio que é sempre bom ter leitores que se preocupam com a língua pátria, principalmente num país em que o respeito ao idioma é como a moral política: quase não existe. Entretanto, VANGUARDA não errou no caso supracitado. A língua portuguesa é machista. A concordância entre os nomes sempre privilegia o masculino. Assim, escrevemos "O menino e a menina são estudiosos", colocando o adjetivo no masculino plural. Numa sala em que há cinco meninos e vinte meninas, usamos a forma "alunos" (no masculino) para fazer referência a todos (de novo o masculino...). Por isso, quando VANGUARDA escreveu "As vans são o grande vilão do trânsito", usou a forma masculina para "vilão" por generalizar os culpados. No trânsito, existem muitos vilões (no masculino), e as vans seriam, segundo a reportagem, o pior deles. A mesma situação pode ser vista quando alguém diz: "Maria é a melhor aluna da sala". Dessa forma, é possível entender que a comparação está restrita ao universo feminino. Querendo deixar claro que a comparação envolve todos os alunos e alunas da turma, pode-se dizer: "Maria é o melhor aluno da sala". É estranho, sim, mas é adequado ao padrão formal da língua. Como se vê, convivemos com o machismo também no âmbito gramatical. Até a próxima semana. |