Que atire a primeira pedra quem, a essa altura, não assistiu ao filme Tropa de Elite. Num paradoxo desses que só existem no Brasil, o filme, que fala do Bope, a tropa de elite da polícia do Rio de Janeiro, foi pirateado antes mesmo de chegar aos cinemas. Um caso de polícia. Assistir a Tropa de Elite é um exercício de choque. Em todos os sentidos. Da crueldade dos bandidos à bandidagem da própria polícia, Tropa deixa o espectador chocado e descrente. E o filme, além de ter uma história que merece muitas reflexões, tem nas falas dos personagens um grande trunfo. Para os puritanos, há um exagero de palavrões. Linguagem carregada, chula. Só quem não entende nada de linguagem pode afirmar algo assim. A linguagem tem de ser coerente à cena retratada e ao nível social e profissional dos personagens. A língua não é estática: varia de acordo com a profissão, com a idade, com o nível de escolaridade e social. Os diálogos travados entre policiais e bandidos são de uma verossimilhança tão grande que você se esquece de que são atores. Portanto, a linguagem tal como expressa em Tropa de Elite é um exercício de coerência, e serve apenas para corroborar o grau de fidelidade à história. É claro que assistir num cinema não se compara ao ato de assistir a uma cópia pirata em casa, mas, numa cidade que não tem cinema, o crime acaba sendo a saída para quem não pode ir à capital. E nem adianta chamar o Bope.
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