Há duas semanas, escrevi nesta coluna sobre a linguagem usada no filme Tropa de Elite, do diretor José Padilha. Tropa continua fazendo estardalhaço na sociedade. Acusado pela esquerda (sempre ela!) de ser fascista e de ultradireita, Tropa de Elite ganhou a adesão popular e transformou o Capitão Nascimento, personagem do (excelente) ator Wagner Moura, no mais novo herói nacional. Já há até quem recomende sacos plásticos durante os depoimentos das CPIs! Em Tropa de Elite, a glamourização da bandidagem - tão comum entre os filósofos "esquerdopatas" - não tem vez. Polícia é polícia; bandido é bandido. Bandido apanha; polícia bate. Simples assim. Quando esta coluna for publicada, o filme já terá sido visto, provavelmente, por mais de 20 milhões de brasileiros (a maioria, diga-se a verdade, por meio de DVDs piratas). É o maior sucesso da história do nosso cinema. Nem a pirataria detém a força de Tropa de Elite. No país inteiro, as salas de cinema estão superlotadas. E a força do filme é tão grande que frases ditas pelos personagens já viraram bordões. Para quem não sabe, "bordão" é um tipo de frase que se repete muito, na música, na conversa ou na escrita. Tropa de Elite tem dado uma contribuição considerável nesse quesito. Por exemplo: "Bota na conta do papa". A frase, dita a certa altura por Nascimento, é a autorização para um membro do Bope matar um traficante. Acabou virando sinônimo de "resolve logo isso sem dar satisfação". O termo "aspira", usado na linguagem policial para designar "aspirante", já tomou conta das ruas para designar o indivíduo que está começando em seu ofício. Sem falar no "zero um", usado para designar o policial que desiste primeiro no duríssimo treinamento para se tornar membro do Bope. Nas ruas, "zero um" virou sinônimo de covarde. Assim é a linguagem: sempre moldada pelo povo, sem seguir regras estabelecidas por convenções. É bem verdade que esses bordões deverão ter vida curta (apenas enquanto o filme estiver fazendo barulho), mas a existência deles atesta como a linguagem é forte e como seduz as pessoas. Até a próxima semana.
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